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A Cachoeira Azul

Pequena e mal feita,
tão imperfeita obra de arte,
posta à parte e nunca apreciada,
encurralada e quase ferida,
escondida atrás do desejo aceso,
que é o motivo de estarmos aqui.

Os poucos olhos que a vêem
o fazem por momentânea fuga
do que suga os olhares por aqui.

A cachoeira azul tão mal pintada,
tímida e trêmula, coitada,
no alto da montanha intocada,
ainda a ser explorada,
e eu serei o minerador aqui.

Ó, mineração que sempre me persegue!
Ourives, não negue, eu sei que sou,
quem ainda não notou?
Por que então tentar fugir?

Mas ainda assim eu a vejo,
atrás do desejo, a cachoeira azul,
o traço torto e cru riscando a tela,
parede sem janela, porta indevida,
a beleza da natureza mal reproduzida,
desfocada no pano de fundo daqui.


(Júlio B.)
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